Eu comecei a costurar faz mais ou menos quatro anos. Nessa semana, depois de olhar para o meu ateliê em casa, com uma mesa de corte, duas máquinas de costura e inúmeras quinquilharias que só quem costura sabe que a gente acumula, fiz um rápido balanço das razões que me fizeram começar e não parar até então. Elenquei aqui 4 motivos que compartilho agora:

1 – AUTONOMIA

No início do processo de aprender a costurar eu queria desenvolver a capacidade de fazer as minhas próprias roupas, me vestir sabendo que estava de acordo com um processo de produção mais justo. Mas esse primeiro passo me fez expandir o olhar para outras questões da minha vida que eu costumava terceirizar, como fazer comida, faxina na casa, cuidados pessoais – tipo a limpeza de pele, por exemplo. Percebi que no fim das contas eu terceirizava quase tudo na minha vida: das coisas mais básicas até as mais complexas. Isso além de custar caro me fazia uma pessoa mais dependente de um sistema de produção que eu questionava. Vejo que além de começar a costurar, iniciei um processo de libertação.

2 – HABILIDADES MANUAIS

Sempre achei que minha condição motora era ruim. Até a escrita me desagradava por causa da letra que considerava feia. Costurar me trouxe também a grata surpresa de que eu era capaz. Descobrir isso me trouxe mais confiança para seguir praticando e enfim me dei conta de que minhas mãos são poderosas e me senti mais animada para desenhar, cortar, alinhavar, costurar. Tenho descoberto um lado artístico que nunca tinha estimulado!

3 – EXERCÍCIO DE PACIÊNCIA

Ansiedade é algo que não se pode ter na costura. Quando comecei a costurar queria ter uma peça pronta no fim de uma aula de quatro horas. O resultado? Costuras tortas, peças com caimento errado, acabamento de dar medo em qualquer profissional. Tive que aprender a administrar meus anseios e ter paciência, entender o processo, alinhavar muito antes de costurar, para só depois ter condições de ter uma peça de roupa linda!

4 – ENTENDER MELHOR OS PROCESSOS

Minha vida antes de costurar era ir em brechós ou na Zara, nem provar as roupas, passar no caixa, pagar e levar para casa. O que acontecia depois não deve ser novidade pra você: não raro eu usava a roupa uma vez e depois não gostava do caimento, a peça não combinava muito comigo. Esse é o famoso impulso, né beninas?!

Depois de passar pelo caminho de confecção: escolher o modelo, comprar o tecido, fazer o molde, cortar o tecido, alinhar toda a peça antes de passar pela máquina… UFA! É detalhe atrás de detalhe. Isso me fez entender a importância de cada passo e que isso custa caro. Então hoje mesmo que eu não consiga fazer a peça, busco quem possa criar de uma forma justa para todos do processo dessa cadeia produtiva.

 

E você? Qual a relação você tem com a moda? Já parou para pensar em quem fez suas roupas? Quantos litros de água foram gastos para a produção de uma peça?

 


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