Há um mês eu voltei a prestar atenção na minha marca, meus aprendizados com costura e jornalismo de moda. Para quem não sabe, criei a Levitarte para que eu pudesse desenvolver as peças que eu gosto de usar, sem usar de mão de obra escrava e consciente do trabalho que dá criar, cortar, costurar, finalizar uma peça. Assim acredito que dou mais valor aos pequenos prazeres e, claro, aos produtos que uso todos os dias.

Voltando ao assunto, voltei meu olhar para o site da marca, para as redes sociais e pensei: como movimentar isso, inspirar a mim mesma e trazer alguma mensagem de conscientização? Isso sem deixar para trás meu compromisso diário com o trabalho, freelas e vida social. Foi então que surgiu a ideia de compartilhar no Instagram os looks do meu dia. Vale dizer aqui que estou longe de ser blogueira (com segurança de poses e ter posts regrados falando de minhas aquisições) e a intenção era a de compartilhar a ideia de que: não precisa ser caro para vestir-se; vamos tratar o assunto com leveza e, claro, vamos apoiar as pequenas marcas que estão desenvolvendo seus produtos.

Confesso que no início eu estava insegura, me achando meio tosca em compartilhar fotos minhas no espelho, mas tenho amigas, amigos e os melhores fotógrafxs. Então, dá pra dizer que depois de um mês eu já aprendi…

a perder a vergonha.

Afinal, vergonha do que e de quem, não é mesmo? Essa insegurança do que os outros vão pensar são âncoras e a gente não precisa se preocupar com a ideia de que as pessoas estão julgando seus atos, certo?

a contar com amigxs fotógrafos.

Primeiro eu não queria incomodar, então comecei a fazer as fotos no espelho. Reparem na cara de sem graça do ser humano, sorrindo para um reflexo, não sabendo se olhava para o celular ou para mim mesma. Depois de conversar com a amiga/irmã/metida a blogayra Jessy Heart, fui advertida: “pede para o boy magia tirar as fotos, vai em outros lugares e se solta!!”

E que momento libertador! Comecei a me divertir já no primeiro dia, já que o fotógrafo em questão ficava conversando comigo sem eu saber que ele estava fotografando. Tenho registros até de quando eu descia as escadas de casa para tirar as fotos. Ou seja: as “fotos oficiais” nunca ficavam tão boas quanto as espontâneas. E quando o Gui não conseguia tirar (ou eu esquecia) pedia para as amigas tirarem e percebi que elas também gostaram da brincadeira!

a notar quais roupas minhas têm a ver comigo.

Eu sou rata de brechó. E foi assim que eu desviei a minha veia consumista de shopping para comprar peças usadas. Isso não faz de mim uma pessoa mais consciente (apesar de estar lutando para que eu seja). Meu guarda roupas é SOCADO de roupas. Algumas lindas, maravilhosas que têm a minha cara, outras nem tanto. O que eu tenho feito quando me deparo com estas peças que já não fazem mais parte do meu jeito de vestir? Vendo, troco, faço doações. O fato é que passei a prestar mais atenção nisso quando parava pra pensar em qual seria minha roupa do outro dia. Aos poucos vou fazendo uma limpa.

descobrindo padrões.

Não que eu já não soubesse que sou uma pessoa que gosta e abusa de roupas largas, panos esvoaçantes e peças confortáveis. Mas eu percebi que tenho padrões inconscientes. Quando uso a base da roupa preta, coloco uma outra peça bem colorida e nada de acessórios. Quando uso listras, procuro combiná-las com as cores das outras peças. Calça justa (o que eu uso muuuito)? Blusinha larga e bota. Calça larga? Blusinha justa e, normalmente, tênis.

E para que servem os padrões? Para serem quebrados! Então meu exercício agora é formar combinações mais criativas e ousadas. Como as que eu fazia quando era mais nova e me negava a me vestir “certinha”.

Quero deixar claro aqui que não tenho nada contra a usar os padrões e até mesmo fazer combinações mais conservadoras (afinal, eu sempre acabo fazendo), mas a minha proposta, é brincar com o que visto e me descobrir neste universo. Por que não permitir-se, não é mesmo?

como tudo isso é divertido!

Sim, o que antes foi um exercício penoso para começar a fazer, hoje eu adoro, me divirto e, quando não faço, sou cobrada! Admito que fiquei bem feliz em saber que tinha gente acompanhando hahaha!

Em tão pouco tempo já aprendi tantas outras coisas que provavelmente eu esqueci e fui me sentindo mais livre, acostumando a sorrir mais pra câmera e a achar graça das minhas pamonhices.

Algumas mudanças!

A mudança de agora em diante é que ao invés de postar as fotos na linha do tempo do Instagram, vou postar os looks do dia no Insta Stories da Levitarte e deixar a linha do tempo para as peças que eu faço. A dica veio da querida Natália Veiga, que me fez várias provocações sobre a minha marca e o que eu pretendia em compartilhar com vocês os looks.

Minha resposta ainda não está bem formulada, mas este post é uma fora de externalizar esta reflexão e, sim, compartilhar um relato com as pessoas que estão acompanhando a Levitarte e a mim.

Vou escrever mais por aqui, sigo com o compromisso de que vou falar sobre o quilo da Hering que eu comento tanto nas postagens. 🙂


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